sábado, 31 de maio de 2008



                                                                           

                         
    Nightwish no Brasil  





Está confirmada a presença do Nightwish no Brasil esse ano. Mandamos um e-mail para o Estevão, responsável pela versão brasileira do site oficial, e ele nos afirmou que a banda virá, próximo de novembro, nas cidades já citadas em outros sites da internet:

Porto Alegre
Curitiba
São Paulo
Rio de Janeiro
Brasília
Belo Horizonte
Fortaleza
Recife
Manaus.


Foram divulgadas as datas e locais das apresentações da nova turnê do grupo Nightwish no Brasil. O grupo agendou oito shows pelo país. Na atual turnê o Nightwish está divulgando o mais recente álbum de estúdio, “Dark Passion Play”, que marca a estréia da vocalista, Anette Olzon.

A turnê do grupo pelo Brasil começa no dia 04 de novembro, com uma apresentação no Pepsi on Stage, em Porto Alegre. No dia 05 o show será no Hellooch, em Curitiba. Dias 07 e 08 o grupo tocará em São Paulo, na Via Funchal. Belo Horizonte é a próxima parada com uma apresentação no dia 10 no Chevrolet Hall.

Depois o grupo vai para o Norte do país e se apresentará no dia 13 na Arena Amadeu Teixeira, em Manaus. Dia 15 é a vez de Fortaleza receber a banda no palco da Arena. No dia seguinte o show que encerra a turnê pelo Brasil será em Recife, no Chevrolet Hall.

No próximo dia 21 de maio o grupo lançará o novo ‘single’. A música escolhida foi “The Islander” e além da faixa título trará “Escapist” em versão instrumental, e “Meadows of Heaven”, em versão orquestrada. Também estarão no ‘single’ dois videoclipes: “The Islander” e “Bye Bye Beautiful”.








    

sexta-feira, 16 de maio de 2008



Da Buzz
, é um grupo que surgiu de 3 estilos musicais diferentes, mas Annika Thörnquist, Per Lidén and Pier Schmid formaram o grupo há 3 anos atrás.

O tipo de música dos Da Buzz é melodioso, fresco, e pop bem disposto.

Até agora...

O single "Do you want me" chegou à platina na Suécia em 2000.
O single "Let Me Love You!, assim como o seu primeiro album "Da Sound" atingiram o Ouro na Suécia em 2001.
O sucesso com "Da Sound" passou das fronteiras da Suécia. Têm andado em tournée nos EUA e no Japão, e actuam em clubs e na TV.


Annika Thörnquist
Nasceu em Karstad, na Suécia.
A sua mãe era professora de piano, e, ouvir música em conjunto, era uma das suas actividades familiares preferidas.
Naturalmente, Annika desenvolveu o gosto por cantar.
Ao longo dos anos, Annika cantou em diferentes estilos de música (Jazz, Rock, Pop e Clássico), apesar de ela admitir que o Pop tem um lugar especial no seu coração.

Per Lidén
Per aprendeu a tocar guitarra com 8 anos, na Escola de Música Sueca.
Como um adolescente, frequentemente tocava na banda de Heavy metal local, sendo a sua primeira actuação em público aos 14 anos.
O seu primeiro amor sempre foi a guitarra, e é o instrumento que usa para escrever as músicas. Sempre quis ser músico, e por isso, explorou possibilidades em diferentes géneros musicais.
Em 1995, começou o seu próprio estúdio, e envolveu-se num projecto chamado Freebee.
Depois de um sucesso internacional em 1997 com Freebee, Per, estava à espera de um novo desafio, e esse veio em forma dos Da Buzz.

Pier Schmid
À tenra idade de 4 anos, Pier teve o seu primeiro encontro com o palco!
O seu pai era um profissional numa banda, e Pier passou grande parte da sua infância a viajar pela Europa. Essas experiências, despertaram nele um grande interesse pela música e Pier sempre teve o sonho de ser o melhor saxofonista do mundo.
Abençoado com o talento da música, Pier persuadiu os seus sonhos músicais, indo a escolas de músicas e ao trabalhar como professor de música.
Pier toca clarinete e saxofone, e trabalhou com alguns dos mais famosos saxofonistas na Suécia, como Putte Wickman, Svante Turesson and Georgie Fame.

bom o link do cd ta ai é uma coletania q eles fizeram , agora tem uma coletania q eu pegeui na net q parece ser melhor pq tem mais musicas e tem uma q é otima q n tem ai mas n to axando o cd pra postar o link n entao por enquanto baixem esse cd mesmo e depois eu posto no 4shared esse cd pq n axo em lugar nenhum eu lembro de ter baixado o cd q ta ai em baixo mas veio umas musicas a mais , estranho mas depois eu posto o cd q baxei por enquanto fikem com esse mesmo.
Greatest Hits (2007)
Capa: http://3.bp.blogspot.com/_5VmaqUq4vtM/R-8oEMrVFVI/AAAAAAAAA6s/Q3B6lIjxk_s/s1600-h/greatest+hits+post.jpg
01. Alive
02. Take All My Love
03. Dangerous
04. Do You Want Me
05. Tonight (Is The Night)
06. Wonder Where You Are
07. Without Breaking
08. Last Goodbye
09. Wanna Be With Me
10. How Could You Leave Me
11. Paradise
12. Let Me Love You
13. Baby Listen To Me
14. Take A Chance
15. Don't You Leave Me
16. Da Buzz (Club Mix)
http://www.4shared.com/file/39067813/d67b3c1f/DA_BUZZ.html?dirPwdVerified=42593bc0


bom na minh opiniao eu sou meio suspeito pra flar desse grupo pq foi amor a minha vista eu escutei eles por uma radio na internet e pegeui o cd e me apaixonei é meio parecido com a cascada n axam ,eu axei.



joss no brasil


A cantora e compositora inglesa Joss Stone fará cinco apresentações no Brasil em junho. Segundo a gravadora EMI, a turnê terá início no dia 13 na Arena Rio, na capital carioca. Em seguida a artista se apresenta no Via Funchal, dias 15 e 16, em São Paulo; no Teatro Positivo, dia 18, em Curitiba; e no Pepsi on Stage, dia 19, em Porto Alegre. Ainda não há informações sobre os preços dos ingressos

domingo, 6 de janeiro de 2008

7 atrações internacionais podem aparecer por aqui.

Além de Iron Maiden, Hillary Duff e Bob Dylan, que já têm shows confirmados no Brasil, mais alguns famosos podem zarpar para o País.Produtores e agências negociam com Ozzy Osbourne, Foo Fighters, Rage Against the Machine, The Cure, Guns 'N Roses, Joss Stone e R.E.M. Os quatro primeiros reservaram datas pré-marcadas para entrarem em turnê na América do Sul, o que não garante em 100% a vinda dos grupos.Ozzy e The Cure badalariam pelo 1º semestre e já RGTM e Foo somente na segunda parte do ano.Segundo a Folha Online, Guns, Joss e R.E.M são apenas especulações, já que uma fonte garantiu à publicação que os três têm "boas chances" de aparecer por aqui.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Notícia Pop Rock Brasil 2007






Com a missão de promover um evento interativo, com a mistura de ritmos, azaração e muita animação, o Pop Rock Brasil 2007 proporcionou momentos inesquecíveis para o público que lotou o Mineirão nos dias 17 e 18 de novembro. 17 bandas, convidados especiais e novidades nos espaços foram os pontos de maior destaque no festival, que completou 24 anos de existência.
O primeiro dia do Pop Rock teve uma abertura mais que especial. O cantor mineiro Wilson Sideral tocou o hino nacional na guitarra, levando o público ao delírio. E a banda Código B, vice-campeã do Combate Pop Rock Brasil, foi o primeiro grupo a se apresentar. Logo depois foi a vez dos paulistas do Luxuria, sob o comando da vocalista Meg Stock. Os gaúchos do Fresno foram a terceira atração do dia, e o vocalista, Lucas Silveira, ficou surpreendido com a visão proporcionada pelo estádio lotado. Depois foi a vez dos jovens cantores da banda Strike, seguidos pelos mineiros do Tianastácia. E a banda se sentiu realmente à vontade, em casa, mostrando seus melhores sucessos e também outros ícones do rock, como Titãs.
O Skank deu prosseguimento à festa, animando ainda mais o público presente. E a madrugada de sábado para domingo contou ainda com apresentação de Capital Inicial, Charlie Brown Jr – que levou uma pista de skate para cima do palco – e a atração internacional Skazi. O israelense tocou o melhor do seu estilo rock eletrônico, misturando também hits nacionais, como a música Rap das Armas, da trilha sonora do filme Tropa de Elite.
No domingo, dia 18, a banda Manitu abriu o festival. A banda foi a mais votada no Combate Pop Rock, entre as cinco finalistas. Um dos grupos do momento, o NX Zero, deu continuidade às apresentações, cantando seu sucesso “Razões e Emoções”. A baiana Pitty foi a terceira apresentação, levantando a legião de fãs que foram ao Mineirão principalmente para vê-la. Logo após foi a vez da cantora norte-americana JoJo, que se apresentou pela primeira vez no Brasil. Com apenas 16 anos, JoJo conduziu sua apresentação como veterana, levantando o público com o hit “Too Little too late”. Os mineiros do Jota Quest deram prosseguimento à festa, seguidos pelo reggae do Natiruts e depois pelo O Rappa, uma das apresentações mais aguardadas da noite.
O encerramento do Pop Rock Brasil 2007 foi ainda mais especial. Comemorando seu aniversário, Bruno Gouveia e seu Biquíni Cavadão subiram ao palco para uma apresentação inesquecível. Além dos principais sucessos da banda, o Biquíni contou com participações especiais. Theddy Corrêa, vocalista do Nenhum de Nós, cantou “Camila” e “Astronauta de Mármore”. Depois foi a vez da apresentação surpresa com Rogério Flausino, do Jota Quest e seu irmão, Wilson Sideral, que cantaram o sucesso “Tédio”. O guitarrista do Ira, Edgar Scandurra – que também se apresentou como DJ nas tendas eletrônicas – fez uma homenagem ao Bruno cantando “Envelheço na cidade”. A última participação foi a do vocalista do Tihuana, Egypcio, que cantou o sucesso “Tropa de Elite”. Para cantar “Zé Ninguém”, Bruno convidou todos os convidados para uma apresentação conjunta, que contou também com a participação de Kid Vinnil, cantor e DJ, ícone dos anos 80.
Entre as novidades nos espaços, estava o lounge Guaraná Antarctica Ice, que contou com a presença dos ex-atores de Malhação Giovana Ewbank, Karen Junqueira, Klebber Toledo e Ricardo Fogliatto. Os artistas participaram de brincadeiras que envolviam o público do Espaço Azaração Guaraná Antarctica Ice. Também estiveram presentes os ex-BBBs Alberto Caubói, Bruna, Analy Rosa (que se apresentou como DJ nas tendas eletrônicas) e Alan Pierre. E a interatividade marcou presença para o público desse espaço. Durante um mês, as pessoas que compraram ingressos para o Azaração puderam participar de um chat exclusivo. Foram cerca de quatro mil acessos por dia.
Nas tendas eletrônicas Claro e Skol Beats passaram cerca de 15 DJs, entre brasileiros e internacionais. Esses espaços foram grandes destaques no evento, por onde passaram milhares de pessoas por dia. Os espaços Leader, Camarote Sony Ericsson, Camarote Claro Pop Rock e Camarote Supra Sumo ofereceram serviços diferenciados, que animaram ainda mais o público presente.


Nota de Esclarecimento


A 98 FM e a DM Promoções, organizadoras do Pop Rock Brasil 2007, i


informam que tomaram todas as medidas possíveis com relação ao incidente acontecido com um jovem em um dos camarotes empresariais do evento no dia 17 de novembro. A Polícia Militar foi acionada rapidamente e o resgate médico chegou imediatamente ao local, após a organização informar sobre o desmaio do rapaz. Os organizadores acompanharam a remoção dele até o hospital, local onde, horas depois, o jovem morreu. O Instituto Médico Legal ainda vai divulgar o laudo com a causa morte, porém já foi anunciado que a morte não foi causada por lesões corporais.


Fonte: Redação 98FM

+ Um pouco sobre a China





Império instantâneo
Se continuar a crescer no mesmo e alucinanteritmo atual, a China vai construir em poucasdécadas um império global que os americanos precisaram de um século para erguer. E não há sinais de que esse ritmo esteja diminuindo...







O grandalhão da foto acima é um dos jogadores de basquete mais altos do mundo. Como todo bom produto made in China, Yao Ming foi exportado com sucesso para os Estados Unidos. Pivô do Houston Rockets, é há quatro anos uma das maiores atrações da NBA. Ming e a China cresceram como ninguém no planeta nos últimos 26 anos. Nascido em 1980, o jogador é um colosso de 2,26 metros. Evidentemente, ele já parou de crescer. A China não. A China não pára: é, de longe, o país que mais cresceu desde 1980. Uma média de 9,6% por ano neste quarto de século. Significa dizer, por exemplo, que nos últimos três anos acrescentou quase um Brasil inteiro ao seu PIB. No primeiro semestre de 2006, sua economia manteve-se como a mais vigorosa entre todas. Cresceu mais 10,9%.
Cresceu também em qualidade. Esqueça a China como o país apenas das baratíssimas camisetas de 5 centavos de dólar e das quinquilharias. Em 2005, o país fabricou (ou montou) 400 bilhões de dólares em produtos de alta tecnologia. Por exemplo, sete em cada dez aparelhos de DVD vendidos no mundo – das marcas Sony, Panasonic, Philips e outras – vêm de lá. Preste atenção no seguinte fenômeno: o país ainda será por décadas o das camisetas a preço de banana, mas será cada vez mais um superfabricante de produtos de alta tecnologia e um criador de marcas mundiais – simultaneamente. Para segurar a base da pirâmide, não falta mão-de-obra barata chegando todos os dias do empobrecido campo para abastecer o mercado de trabalho. Somente a região de Xangai recebe diariamente 28.000 novos trabalhadores ávidos por encarar jornadas de seis a sete dias por semana, doze horas por dia, recebendo algo entre 100 e 200 dólares por mês. Para sustentar as partes do meio e o topo dessa pirâmide, é formado por ano cerca de meio milhão de cientistas e engenheiros. Ao ritmo de hoje, o Brasil levaria cerca de 45 anos para formar tanta gente nessas áreas.


O país é uma máquina de produzir como nunca se viu outra igual. Uma máquina que mistura características do comunismo e do capitalismo. Mistura, portanto, baixos salários, partido único, ausência de direitos civis e de reivindicação, com a busca pela produtividade, meritocracia, capital abundante, atração de estrangeiros e investimento em capital humano. É uma máquina bafejada pelas circunstâncias de ter a seu dispor o maior mercado interno do mundo e o maior mercado externo do mundo – os Estados Unidos. Uma máquina de produzir riquezas que estabeleceu com os EUA um pacto de morte, em que um precisa que o outro esteja saudável para que ele próprio permaneça crescendo.
O espetáculo do crescimento chinês surge de empresas como a BYD. Provavelmente, ninguém no Brasil ouviu falar dela. É a segunda maior fabricante mundial de bateria de celulares. Fornece para Motorola, Nokia e todas as que importam no setor. Um em cada quatro aparelhos em funcionamento no mundo é equipado com uma bateria da BYD. Produz também dezenas de produtos de alta tecnologia, como telas de LCD. Tudo isso em apenas onze anos de vida. Seu segredo? Antes, essas baterias eram fabricadas em unidades superautomatizadas no Japão. A BYD tirou os robôs de cena, botou um exército de braços chineses no lugar e ganhou a parada. Evidentemente, mantendo a qualidade – sem isso, nada feito. A BYD tem 60.000 empregados.
Seu fundador e presidente, Wang Chuan-fu, tem apenas 40 anos – o que pode ser considerado uma idade-padrão dos grandes empreendedores chineses de hoje. Gente jovem, portanto. Pois bem, como se fosse pouco, Wang há três anos partiu para a produção de carros. Quando se lançou à aventura de competir com a GM, Ford e Honda, Wang bancou uma afirmação ousada, tipicamente capitalista: "Em dez anos, seremos a maior fábrica de automóveis da China". Neste ano devem sair 200.000 veículos de sua fábrica na cidade de Xian, no noroeste do país. Ainda é pouco. A BYD (sigla que não quer dizer nada, foi escolhida apenas pela sonoridade) exporta apenas para o Oriente Médio e a Colômbia. Falta muito para alcançar sua meta. Mas esse não é o ponto. O empreendedorismo floresce na China. Ainda que de um modo bem próprio. Ex-pesquisador de uma estatal, Wang diz que a escassez de verbas para pesquisa o fez querer abrir uma empresa, onze anos atrás. Quando se mete num empreendimento assim, ainda que assuma riscos, alguém como Wang obtém com certa facilidade o fundamental para botar a bola em jogo – crédito fácil nos bancos oficiais. O financiamento é farto. Para o bem e para o mal, as garantias pedidas pelos bancos para empréstimos são ralas em comparação com o que ocorre no Ocidente.
A empresa tem algumas características peculiares ao capitalismo chinês. A clonagem é uma delas. A logomarca da montadora BYD lembra muito a da BMW. O F3, modelo lançado há menos de um ano, é parecidíssimo com o Corolla, da Toyota (a parte dianteira), e com o Civic, da Honda (a parte traseira). Não deve ser por acaso. Desenvolver um automóvel pode custar de 1 bilhão a 2 bilhões de dólares para a Volkswagen, Toyota ou Honda. Para a BYD, passa longe disso.



A indústria automobilística chinesa está em processo de consolidação. As taxas de crescimento do mercado doméstico são as mais altas do mundo. Em outubro passado, pela primeira vez, o país exportou mais carros que importou. É verdade que suas vendas externas ainda são destinadas a países pobres. Mas as pontes para um novo estágio já estão sendo pavimentadas. No ano que vem, a Chery, a maior montadora chinesa, inicia a venda de seus modelos nos EUA e no Brasil. Não são poucos os analistas que prevêem que a entrada vigorosa da China no setor deverá bagunçar ainda mais a cabeça de Detroit, a capital da indústria automobilística dos EUA. No futuro, talvez Detroit tenha saudade dos tempos em que a Toyota e a Honda eram os fantasmas que lhe tiravam o sono. Nos Estados Unidos, uma hora de trabalho de um operário custa 37 dólares. Na indústria automobilística chinesa sai por menos de 2 dólares (no Brasil é o triplo disso).
Os dirigentes chineses pressionam também para que qualquer joint venture com uma grande empresa estrangeira traga no seu bojo transferência de tecnologia. A General Motors bateu a Ford numa disputa pela instalação de uma fábrica em Xangai porque aceitou erguer um centro de pesquisa e desenvolvimento ali, transferindo tecnologia de última geração para a região. São 270.000 empresas estrangeiras brigando por espaço na China. Alcançam algo que o Brasil nunca pensou em conseguir. As companhias automobilísticas chinesas possuem parcerias com empresas estrangeiras concorrentes. Conseguem, portanto, acesso aos segredos de seus dois sócios – em nenhum outro lugar se vêem contratos assim.
Talvez a característica mais forte do "socialismo de mercado chinês" seja a mistura de papéis entre o Partido Comunista e a iniciativa privada. Praticamente todas as empresas têm uma participação estatal, ainda que pequena. Seja do governo central, do da província, seja do governo da cidade. O peso do setor público na economia ainda é gigantesco. Estima-se algo entre 40% e 50% do PIB. O controle do empreendimento pode ser privado, mas a mão forte do Estado está lá, onipresente. Os burocratas do PCCh metem-se a ser empresários. É comum que se aproveitem de facilidades dos cargos para passar de burocratas a capitães de indústria em transformações pouco transparentes. A Heilan, surgida dezoito anos atrás, é um desses fenômenos de "co-habitação" entre a iniciativa privada e o partido. É a maior fabricante de ternos do mundo. Neste ano deve produzir 10 milhões de peças, a maioria para exportação. (É quase o dobro do que o Brasil fabrica em igual período.) Algo como 27.300 ternos por dia, numa conta que considera funcionamento a pleno vapor nos moldes chineses. Ou seja, sete dias por semana. Quem a comanda é Zhoujianping, fundador da empresa e também alto dirigente do partido. Ele é deputado com cadeira no Congresso Nacional do Povo e integra a administração da província de Jiangsu, onde a fábrica está instalada. Zhoujianping, 46 anos, é o sócio majoritário, mas o governo local tem uma parte – e há outra pulverizada na Bolsa de Valores de Hong Kong. Yan Haifeng, assessor da presidência da Heilan, vê esse atrelamento como normal – e até desejável. "Ser do partido ajuda a empresa, claro", admite ele. "Mas ajuda o país também: se a empresa tem lucros, reverte para o país através de impostos e empregos."
A Heilan é um filho legítimo de outra particularidade chinesa – a monumentalidade e o delírio arquitetônico. Sua sede na cidade de Jiangying é composta de um hotel cinco-estrelas e seis prédios gigantescos, cinco deles para a manufatura. Não são prédios quaisquer. Misturam a arquitetura dos edifícios da Itália fascista dos anos 30 do século passado com colunas, estátuas e mármores da Roma antiga – tudo isso em prédios, repita-se, de dimensões monumentais. Um samba do arquiteto doido. Nos limites da Heilan, há também vários prédios de dormitórios, onde moram 70% dos 15.000 funcionários. É o que há de mais comum nas fábricas chinesas: como quase todos os operários são migrantes, eles moram nesses quartos, de graça. Podem ser quartos para abrigar de seis a dez operários, sempre muito jovens (entre 18 e 24 anos), com salários entre 150 e 200 dólares mensais. É possível interromper o trabalho dos operários para algumas perguntas? "Sim, só não é permitido perguntar sobre política", ressalva o porta-voz que acompanha a equipe de VEJA. A história de cada um deles é entediantemente semelhante: todos vieram do campo, de famílias de agricultores, e mensalmente enviam entre 30% e 50% do salário para ajudar os pais. Em outras fábricas pelo país, mesmo nas que produzem para multinacionais de ponta, encontram-se operários que recebem 50 dólares por mês e enfrentam um batente de quinze horas diárias. Uma delas, denunciada em junho, fabricava iPods para a Apple e chips para a Intel.
O dedo do Estado em todo o mundo de negócios remete a outra característica do país – o guanxi, um misto de poder de influência, teia de relações e interesses, ajuda aos amigos. É algo entranhado na cultura local como cuspir na rua, tomar chá sem açúcar ou comer com pauzinhos. Sem exceção, todos os executivos e empresários que conversaram com VEJA para esta reportagem citaram espontaneamente o guanxi como condição fundamental para as coisas fluírem. Na prática, o guanxi num Estado com um partido onipresente significa ter relações com algum filiado ou com algum burocrata dos governos (local ou central) para conseguir facilidades. Isso passa pela troca de favores. E por corrupção, também entranhada no país até por causa dessa característica: onde há burocracia forte e uma montanha de burocratas maiores e menores, a tendência é a venda de facilidades. Para conseguir empréstimos nos bancos chineses (estatais, claro), o guanxi é fundamental – seja para um financiamento maior, seja para dar em troca menos garantias. Para conseguir um terreno para construir um arranha-céu, por exemplo – e, portanto, desalojar quem mora no tal terreno –, essa teia de conexões é crucial. É também o motivo de muitas companhias privadas estrangeiras procurarem sócios locais: para ter guanxi e facilitar sua atuação num país em que as regras não estão todas escritas e o Judiciário não funciona como deveria.
Em alguns setores em que o Estado ainda paira quase absoluto, é natural que o guanxi seja mais necessário. A aviação comercial, por exemplo, é extremamente regulada. O governo decide e aprova não só novas rotas, mas até a compra de novos aviões pelas empresas. "Aqui tudo é muito controlado", afirma Zhang Pei, 44 anos, um dos fundadores e o atual vice-presidente da Shenzhen Airlines, a quinta maior companhia aérea do país. Ele acha que, assim como já ocorreu em outros setores, a tendência na aviação chinesa é a desregulamentação. A companhia é controlada por duas empresas privadas chinesas, mas tem 25% de seu capital nas mãos da estatal Air China. Outros 10% pertencem à prefeitura de Shenzen. Pei tem planos ambiciosos. Diz que, nos próximos três anos, dos 33 aviões atuais a Shenzhen Airlines passará a setenta. E que a hoje companhia regional passará a voar para as principais cidades asiáticas. Haja guanxi para conseguir tudo isso, observa o repórter de VEJA. Pei sorri, concordando. Ex-funcionário de uma estatal, ele acha que nas empresas privadas as coisas funcionam melhor. "O lucro é bom. Se formos comparar a uma partida de futebol, antes o governo fazia o papel do juiz, dos 22 jogadores e da torcida. Agora, ficou só com o papel do juiz. Está melhor assim", diz.
Não é verdade que o governo atue somente como juiz. Mas é inegável que o grau de liberdade para fazer negócios é crescente. Os milhões de companhias estatais dos tempos pré-abertura caíram para 170.000 há dois anos. E a meta declarada do governo é ficar com 189 conglomerados estatais, atuando em diversos setores. Mas sem monopólios e com metas de eficiência. Pelo menos é a promessa do governo. Para uma empresa 100% privada, é menos problemático expandir-se hoje do que em outros tempos. A Huawei, a maior companhia de produtos de telecomunicação do mundo, que o diga. Fundada em 1988, no começo dos anos 90 sofreu pela falta do braço estatal. Obstáculos não faltavam. Não era permitido enviar funcionários ao exterior para especialização. Também havia barreiras para trazer operários de outras localidades para trabalhar ali. Era difícil tomar empréstimos nos bancos oficiais. "Só as empresas 100% estatais ou com alguma participação do Estado tinham acesso fácil ao crédito", admite o porta-voz da Huawei, Fu Jun. "O governo decidia para quem eles emprestariam." Esses problemas não existem mais. A Huawei, que faturou 8,2 bilhões de dólares no ano passado, mistura a grandiosidade das empresas chinesas com fortes características ocidentais. Do lado chinês, a monumentalidade. Tem 40.000 funcionários, sua sede estende-se por 1,3 quilômetro quadrado (o equivalente ao Parque do Ibirapuera, em São Paulo) e vende seus produtos para cerca de 100 países. À semelhança das empresas de ponta dos países do Primeiro Mundo, possui apreço por pesquisa e desenvolvimento de produtos ainda incomuns na China: é dona de 11.000 patentes, um recorde entre as companhias locais. Muito menos que a IBM no período entre 1990 e 2005, que tem patenteadas 35.000 invenções. Mas já bate de longe a maior empresa brasileira: a Petrobras fez 1.119 pedidos de patentes em seus 53 anos de existência.
A Huawei é uma representante genuína de uma nova China. Vários gigantes chineses já buscam construir marcas mundiais. Marcas que o consumidor do Brasil, da Zâmbia ou da Inglaterra reconheça como de qualidade. Querem criar suas próprias Nike, Toyota, Samsung ou L'Oréal – para ficar somente em quatro marcas mundiais criadas em quatro países. Uma das tentativas em curso é a da Lenovo. Em 2004, o maior fabricante chinês de computadores pessoais surpreendeu o mundo e ficou com a divisão de PCs da IBM. Pagou 1,75 bilhão de dólares pelo desafio. Neste momento, começa a tirar a marca IBM de seus produtos e estampar Lenovo. É o início de uma batalha para ser objeto de desejo mundial. Há várias outras em curso.
A ida para o exterior, como investidores, é outra dessas batalhas. O China Construction Bank, o terceiro maior do país, está negociando a compra de 20% do Bear Stearns, um banco de investimentos americano. Será a primeira perna chinesa num banco de Wall Street. O governo autorizou no mês passado que os fundos de pensões estatais invistam fora do país. Ainda é coisa pequena. Prevê-se 1,1 bilhão de dólares neste ano. Mas a iniciativa deve ser vista como o início de um processo. "As empresas estatais, sobretudo no setor de energia, têm sido agressivas na compra de bens no exterior", disse recentemente a vice-ministra do Comércio, Ma Xiuhong. "Isso é apenas o começo."
Ao galgar novos patamares, a China tenderá a mudar de atitude com relação à pirataria e à falsificação. As vendas de produtos piratas e falsificados no país, segundo estimativas do próprio governo, são de 24 bilhões de dólares ao ano. É muito mais, reclamam as empresas lesadas. A verdade é que a China e seus governos locais empregam muita gente com a clonagem. E o pragmatismo do governo central manda adiar a solução do problema. Nem se pensa em desempregar por causa disso. Alguns tentam amenizar o problema lembrando que os EUA foram grandes piratas no século XIX. Mas atenção: não se deve achar que, pelo fato de os EUA terem agido assim, a questão seja menor. Atualmente, os custos de desenvolvimento de produtos são muito maiores – podem passar do bilhão de dólares nos setores automobilístico e farmacêutico. Além disso, com o planeta mais integrado, o que se copia ou rouba pode ser exportado para o mundo inteiro com rapidez. Finalmente, hoje existe um organismo mundial – a OMC – para controlar esses abusos, coisa em que nem se pensava antes.
Se em algum momento for um competidor forte em patentes e inovações, é óbvio que a China mudará de atitude: tentará que a OMC interfira a seu favor em processos de dumping. Em 2005, a China ficou em décimo lugar entre os países que mais solicitaram patentes à Organização Mundial de Propriedade Intelectual, à frente da Itália e do Canadá. Mas, por enquanto, por estratégia calculada vai atirando nas duas pontas. O Ocidente também age de maneira hipócrita em relação ao país: o nível de investimentos na China não pára de crescer, apesar do desrespeito à propriedade intelectual, das incertezas jurídicas, do emaranhado burocrático e da corrupção – quatro obstáculos que diminuiriam o ânimo de grandes empresas em qualquer país. Mas ninguém quer ficar fora da festa chinesa.
Apesar de toda a exuberância, a China ainda envia sinais contraditórios ao mundo. Alguns a vêem como ameaça. Outros como uma bolha prestes a estourar. Além do paradoxo de ter crescente grau de liberdade econômica debaixo do tacão de uma ditadura. Esses sinais contraditórios ela precisará dissipar. Um dos mais graves e evidentes problemas é a fragilidade do sistema financeiro. Seus bancos oficiais estão com um buraco fenomenal, provocado por empréstimos vencidos e não pagos. O FMI já se mostrou preocupado. Relatórios de empresas internacionais de consultoria chamam atenção para os "empréstimos ruins". As estimativas variam entre 450 bilhões e 900 bilhões de dólares – neste último caso o valor alcançaria as formidáveis reservas chinesas em moeda estrangeira, que são cerca de 1 trilhão de dólares. Mas há luzes no fim do túnel bancário. Em primeiro lugar, os bancos estrangeiros têm dado sinais de confiança. No último ano, diversas participações expressivas, mas minoritárias, têm sido compradas. No início do ano, por exemplo, um consórcio liderado pela Goldman Sachs investiu 3,8 bilhões de dólares no Banco Industrial e Comercial da China, o maior do país. Por causa de obrigações com a OMC, bancos estrangeiros poderão atuar na China a partir de 2007, o que certamente ajudará na profissionalização do setor.
Para manter a estabilidade política, o país é obrigado a crescer a taxas absurdas, perto de 10% ao ano. E seguir como destino de investimentos externos gigantescos, da ordem de 72 bilhões de dólares por ano. Muito menos do que isso poderá ser rastilho de pólvora para o descontentamento popular, que minaria as esperanças de dias melhores, sobretudo no campo. A China precisa continuar a fazer a transposição descomunal de gente da zona rural para a urbana. Algo como 200 milhões de pessoas nos próximos dez anos – número semelhante ao da última década. É o maior fluxo humano da história num período tão curto. Gente que servirá de braço para a indústria e para diminuir o inchaço de uma zona rural improdutiva e onde ainda vivem seis em cada dez chineses (veja reportagem na pág. 192). O país terá de conciliar isso com a garantia de alimento para todos, que, na cidade e com emprego, consumirão muito mais.
O avanço da China criou um grande paradoxo: a economia mundial é dependente dela para continuar pujante. Ao mesmo tempo, as conseqüências de seu crescimento atordoante poderão ser fatais para o meio ambiente, pelo menos no ritmo de hoje. Se, por hipótese, em vez de 300 milhões de chineses, o dobro disso estiver consumindo como gente grande, a escassez de matéria-prima poderá virar realidade. Atualmente, a renda per capita do chinês é de 1 300 dólares anuais, equivalente a 30% da brasileira. Ou seja, cada chinês consome em média como um angolano. Em termos de petróleo, isso significa, por exemplo, 1,6 barril ao ano. Se num prazo de dez anos 300 milhões de chineses atingirem os padrões de consumo dos EUA – isto é, 26 barris por ano per capita –, simplesmente não haverá petróleo para todos. A China é de uma ineficiência abissal no setor energético. Para cada dólar que produz, consome quase cinco vezes mais energia que os EUA e doze vezes mais que o Japão. Não se deve, no entanto, fazer essas contas e imaginar o fim do mundo. Se nada for feito para deter o desperdício, ele virá, fatalmente. Mas novas fontes de energia vêm sendo descobertas e o país está iniciando uma troca de matriz energética. É mais um desafio cujo sucesso interessa tanto à China quanto ao mundo.

China

A novíssima China

A prosperidade é impressionante, as
reformas avançam e os chineses têm
o principal para melhorar mais ainda: a
confiança de que o futuro pertence a eles



Andar pelas ruas de uma grande cidade chinesa – e são tantas, e tão imensas – é testemunhar prodígios brotando, literalmente, da terra. O passeio pode começar diante dos gigantes de cimento e vidro: prédios de dimensões espantosas, projetos arquitetônicos de fazer cair o queixo, prefeituras que parecem shopping centers e shopping centers, bem, que parecem isso mesmo, mas se enfileiram , lado a lado, como uma interminável Grande Muralha do consumo. Mais adiante, começam as fábricas, e mais fábricas, e mais fábricas ainda, numa atordoante sucessão em que quase se pode ouvir o furor produtivo da economia que mais cresce, há mais tempo, no mundo. Contra esse cenário em permanente mutação, a paisagem humana causa impacto mais forte ainda. Não apenas pela visível e constante melhoria do nível de vida de um país que ao longo do catastrófico século XX passou por sofrimentos indizíveis, entre dilacerações internas, invasões estrangeiras, períodos de fome coletiva e experimentos comunistas alucinadamente radicais, deixando em seu rastro, a cada surto, mortos contados às dezenas de milhões. Não apenas pelos celulares grudados em todas as mãos, pelos tênis de qualidade em quase todos os pés, pelas cabeleiras – repicadas, eriçadas, aloiradas – que despontam entre os jovens, tornando-os imediatamente reconhecíveis como membros da comunidade global dos internetizados, plugados e descolados. Por trás de tantos sinais de progresso material, revela-se um terceiro fenômeno, sob a forma de um dos bens mais preciosos que uma nação pode ter: a confiança no futuro.
Essa mercadoria intangível não pode ser produzida nas indústrias que abastecem e assombram o mundo por sua prodigiosa capacidade, nem copiada pela incontrolável usina de falsificações, nem induzida pela propaganda oficial do regime, nominal e operacionalmente ainda comunista, por mais que este o faça com a constância e o método típicos do autoritarismo. A novíssima China – a nova foi assim rebatizada depois da vitória da revolução comunista, em 1949 – acredita que as coisas vão ficar melhores ainda por dois motivos simples: a vida de uma imensa massa humana já deu um grande e verdadeiro salto adiante e essa massa, mais uma parcela dos que ainda estão esperando ser incorporados a ela, encara o futuro com otimismo galopante. A experiência recente lhes dá razão. A "era das reformas" está perto de completar três décadas. Em escala chinesa, com uma história contínua de mais de cinco milênios, é menos que um piscar de olhos – mas o suficiente para que uma geração inteira de jovens só tenha experimentado seus efeitos benéficos. Desencadeado timidamente em 1978 por Deng Xiaoping, o processo de reformas foi como um terremoto ao contrário. Em lugar de força destrutiva, libertou a lendária energia empreendedora dos chineses, aprisionada pelo igualitarismo comunista e por uma economia dirigida formidavelmente ineficiente. Sob a denominação de "economia socialista com características chinesas", ou, numa variação mais bizarra ainda, "economia de mercado com características socialistas", a contradição funcionou. Desde o milagre de Deng, saíram da pobreza cerca de 400 milhões de pessoas, a maior massa humana a ascender de patamar, em menos tempo, em toda a história da humanidade.
Andar pelas ruas de uma grande cidade chinesa – e são tantas, e tão imensas – é testemunhar prodígios brotando, literalmente, da terra. O passeio pode começar diante dos gigantes de cimento e vidro: prédios de dimensões espantosas, projetos arquitetônicos de fazer cair o queixo, prefeituras que parecem shopping centers e shopping centers, bem, que parecem isso mesmo, mas se enfileiram , lado a lado, como uma interminável Grande Muralha do consumo. Mais adiante, começam as fábricas, e mais fábricas, e mais fábricas ainda, numa atordoante sucessão em que quase se pode ouvir o furor produtivo da economia que mais cresce, há mais tempo, no mundo. Contra esse cenário em permanente mutação, a paisagem humana causa impacto mais forte ainda. Não apenas pela visível e constante melhoria do nível de vida de um país que ao longo do catastrófico século XX passou por sofrimentos indizíveis, entre dilacerações internas, invasões estrangeiras, períodos de fome coletiva e experimentos comunistas alucinadamente radicais, deixando em seu rastro, a cada surto, mortos contados às dezenas de milhões. Não apenas pelos celulares grudados em todas as mãos, pelos tênis de qualidade em quase todos os pés, pelas cabeleiras – repicadas, eriçadas, aloiradas – que despontam entre os jovens, tornando-os imediatamente reconhecíveis como membros da comunidade global dos internetizados, plugados e descolados. Por trás de tantos sinais de progresso material, revela-se um terceiro fenômeno, sob a forma de um dos bens mais preciosos que uma nação pode ter: a confiança no futuro.
Essa mercadoria intangível não pode ser produzida nas indústrias que abastecem e assombram o mundo por sua prodigiosa capacidade, nem copiada pela incontrolável usina de falsificações, nem induzida pela propaganda oficial do regime, nominal e operacionalmente ainda comunista, por mais que este o faça com a constância e o método típicos do autoritarismo. A novíssima China – a nova foi assim rebatizada depois da vitória da revolução comunista, em 1949 – acredita que as coisas vão ficar melhores ainda por dois motivos simples: a vida de uma imensa massa humana já deu um grande e verdadeiro salto adiante e essa massa, mais uma parcela dos que ainda estão esperando ser incorporados a ela, encara o futuro com otimismo galopante. A experiência recente lhes dá razão. A "era das reformas" está perto de completar três décadas. Em escala chinesa, com uma história contínua de mais de cinco milênios, é menos que um piscar de olhos – mas o suficiente para que uma geração inteira de jovens só tenha experimentado seus efeitos benéficos. Desencadeado timidamente em 1978 por Deng Xiaoping, o processo de reformas foi como um terremoto ao contrário. Em lugar de força destrutiva, libertou a lendária energia empreendedora dos chineses, aprisionada pelo igualitarismo comunista e por uma economia dirigida formidavelmente ineficiente. Sob a denominação de "economia socialista com características chinesas", ou, numa variação mais bizarra ainda, "economia de mercado com características socialistas", a contradição funcionou. Desde o milagre de Deng, saíram da pobreza cerca de 400 milhões de pessoas, a maior massa humana a ascender de patamar, em menos tempo, em toda a história da humanidade.




É claro que nada que acontece no país que combina a maior população do planeta – 1,3 bilhão, ou 20% de todos os humanos – com a aberração de um sistema político comunista comandando uma explosão capitalista sem precedentes e, ainda por cima, a economia mais turbinada da história deixa de ser cercado de ansiedade, alto risco ou previsões catastrofistas. Os problemas por resolver são tão imensos, ou maiores ainda, quanto os já resolvidos e vão da magnitude dos cerca de 800 milhões de chineses que ainda vivem no campo – e, como em qualquer outro lugar do mundo, sonham em sair de lá e ter uma vida melhor nas cidades – às minúcias do delírio de controle absoluto de um regime que mantém um exército de anti-hackers para impedir o acesso, pela internet, a termos tão perigosos quanto liberdade e democracia. As debilidades inerentes à economia chinesa, o sistema financeiro de alta vulnerabilidade e um modelo de crescimento que, dizem os especialistas, não pode durar para sempre assustam tanto quanto sua voracidade. O raciocínio é o seguinte: se a China desmoronar, a economia mundial vai junto; se continuar dando certo, é a ecologia que entrará em falência. O ditado ressuscitado para explicar a teoria do caos – "O bater das asas de uma borboleta na China pode provocar um furacão do outro lado do mundo" – é evocado com sinal invertido. "Se todos os chineses tiverem luz elétrica", "Se metade deles comprar geladeiras", "Se 20% saírem dirigindo automóveis", ou alguma variação similar sempre seguida de previsões sombrias sobre destruição ambiental em escala planetária.
Produtos chineses fascinam o mundo ocidental há mais de 2 000 anos, desde que a rainha de uma potência decadente, Cleópatra do Egito, lançou em Roma a moda dos vestidos transparentes feitos de um raro e diáfano tecido. Desde então, a seda tornou-se uma obsessão da aristocracia européia, mas o remoto e fabuloso país que a produzia só voltou a reaflorar no imaginário ocidental no século XIII, com os escritos de Marco Polo. O deslumbramento com as dimensões, as riquezas, os refinamentos e o poderio comercial do distante Império do Meio era compreensível. Marco Polo vinha de Veneza, que, com 160 000 habitantes, estava no ápice como a maior cidade européia da época, e se instalou em Hangzhou, metrópole que tinha uma população calculada em 1,5 milhão. Tecnologias made in China como a bússola e a pólvora, além de técnicas de construção naval e de forja do ferro, constituíram a base material da era dos descobrimentos e suas formidáveis conseqüências, que empurraram a civilização ocidental para a situação de proeminência em que se encontra até hoje.

Essa China prodigiosa descrita por Marco Polo já era, na opinião de alguns historiadores, um império em declínio. O auge havia sido atingido durante os séculos dourados da dinastia Tang, que foi do ano 618 ao 907 da era cristã. "Era uma civilização supremamente confiante e extraordinariamente cosmopolita", descreveu no livro The China Dream o jornalista inglês Joe Studwell, que morou quase dez anos na China. "Sua sociedade combinava o budismo indiano, os passatempos cortesãos do Irã e uma curiosidade comercial em relação a bens e serviços estrangeiros, somada à supremacia chinesa em matéria de organização política, tecnologia e produtividade agrícola. A China estava tão à frente do resto do mundo que não precisava de nada dele." A era Tang entrou no ocaso levada pelos movimentos cíclicos da longa história chinesa: o poder central começa a se desfazer, os potentados regionais se fortalecem, espoucam rebeliões e logo se instala o mais temido dos perigos políticos, o caos.
Nesse oceano histórico de eterna expansão e contração, o momento mais lembrado, pelos paralelos que contém com o Ocidente, costuma ser o reinado do imperador Yong le, no começo do século XV. Enquanto os portugueses, em suas frágeis caravelas, se lançavam na exploração da costa leste da África, do outro lado do continente os mares eram dominados por uma fabulosa frota. No seu comando, o almirante Zheng He. Encarregado da missão de propagar o poder imperial e coletar tributos dos "bárbaros de além-mar", Zheng He fez sete viagens. A quarta, e mais ambiciosa, era composta de sessenta galeões, com 30 000 homens embarcados. Coerentes com o hábito da autocrítica cultural, historiadores ocidentais costumam exaltar como a frota chinesa era maior e tecnologicamente superior à de seus quase contemporâneos europeus. Mas foram os portugueses e espanhóis, em suas casquinhas de noz, que chegaram ao Oriente – e não vice-versa. Aprenderam a ir – e mais, importante, voltar –, começaram com entrepostos comerciais, criaram impérios marítimos. No processo, descobriram o continente americano. Mudaram o mundo. Apesar da insignificância de seus países de origem e do obscurantismo do catolicismo praticado na época, eram homens livres, movidos por um motor poderoso – a vontade de fazer bons negócios – e neles vicejava a semente do pensamento científico. Zheng He, apesar dos feitos heróicos e da força do império por trás dele, era um servo num império onde o gosto pelas inovações obedecia a caprichos pessoais do soberano. Menino muçulmano do interior, foi capturado, castrado aos 13 anos e colocado a serviço da corte – eram eunucos todos os altos funcionários da casa imperial, medida que nem assim conseguia impedir a corrupção, tão milenar quanto a história chinesa. Quando o imperador que o patrocinava morreu, seu substituto acabou com a aventura marítima, proibiu as expedições de qualquer tipo e baniu o comércio exterior. A frota fabulosa apodreceu e a China fechou-se em mais um período de "esplêndido isolamento".
Essa breve incursão histórica foi feita porque ajuda a tentar compreender algo do que vai na mente das multidões descritas no começo do passeio pela China metropolitana. A longa história chinesa, com seus períodos de glória e decadência, está cravada no inconsciente coletivo do país. Como qualquer povo, os chineses tendem a se achar melhores do que o resto da humanidade e, com tanto passado acumulado, vêm fazendo isso há muito mais tempo do que os outros. Esse sentimento de superioridade foi cruelmente destruído não só pelos "demônios brancos" que arrancaram nacos da China durante a fase de imperialismo puro e duro do século XIX como pelo detestado Japão, tradicionalmente visto como um subproduto inferior da civilização-mãe. Quando a propaganda maoísta abriu uma fresta, ruiu também a ilusão de que o regime comunista havia criado uma potência de primeira classe. Às vésperas do século XXI, ainda se passava fome em larga escala no país da revolução camponesa. A idéia de que a China não pode ficar para trás tem raízes profundas. Perguntadas pelos jornalistas de VEJA sobre o que esperam do futuro, várias dezenas de pessoas responderam o previsível ("Ganhar dinheiro", "Ter um bom emprego", "Uma vida melhor para meu filho", "Comprar um carro" ou sua variação mais ambiciosa, "Comprar uma Ferrari"). O inesperado foi ver quanta gente associa seus sonhos privados ao desejo universal de ver a China "reocupar seu lugar" no mundo e fala com fervor sobre o futuro. Alguns exemplos que aparecerão nas reportagens a seguir: "Tenho a sorte de estar vivo para ver a China tornar-se o país mais rico do planeta", Ying Wo, 19 anos, estudante de jornalismo; "A China é o país mais promissor de todo o mundo", Pan Shiyi, 42 anos, um dos maiores empreiteiros do país; "Meu sonho é ver a China se revitalizar e recuperar seu lugar de destaque. E que consiga deixar de ser um país em desenvolvimento antes da data prevista, de 2050", Yang Zhongqiang, 50, economista, vice-diretor da comissão de desenvolvimento da cidade de Tianjin, revelando o característico pensamento chinês de longo prazo. É essa convicção dos chineses de que o futuro pertence a eles que constrói – ou reergue – impérios